10 questões de concurso sobre a partícula ‘SE’ e pontuação

Olá, meus queridos alunos.

Aqui é o professor Fabrício Dutra, professor de Língua Portuguesa da Zero Um Concursos. Escrevo este artigo para comentar 10 questões que podem cair em prova de concurso sobre a partícula “se” e, ainda, questões sobre pontuação!

Vamos lá?

Texto para as questões 01 a 04:

A coesão de raciocínio lógico ou é a suprema expressão da continuidade de consciência de uma personalidade bem integrada ou é um formalismo aprendido, oco e sem vida. Dessa diferença depende a eficácia ou ineficácia do discurso lógico em “apreender a realidade”. Mas, para complicar as coisas, essa não é uma diferença que ressalte das simples qualidades formais do discurso, as quais podem ser as mesmas num caso e no outro. Para apreendê-la, é necessário uma recapitulação não só dos atos intuitivos pelos quais a mente apreendeu os objetos dos conceitos correspondentes, mas também daqueles pelos quais a unidade dos nexos lógicos entre esses conceitos se tornou visível como unidade entre os objetos e suas propriedades reveladas à intuição; e é necessário que esta dupla recapitulação mesma não se esgote na pura análise, mas reconquiste a unidade do ato intuitivo único correspondente à apreensão da tripla unidade do discurso, do objeto e da estrutura discursiva imanente ao objeto.

Como a maior parte das pessoas não é capaz de fazer nada disso, o discurso lógico lhes parece mero formalismo precisamente porque o seu discurso lógico é mero formalismo; e, de certo modo, a construção desse formalismo já lhes é tão dificultosa que lhes parece inconcebível que alguém consiga efetuar análoga construção não com meros signos, mas com percepções e coisas. Tal operação lhes parece tão impossível como alterar um objeto real mediante simples modificações no seu desenho rabiscado num papel. No entanto, é nessa aparente “mágica” que reside o poder do pensamento eficaz, que essas pessoas contemplam sem compreender e sem mesmo chegar a admitir que exista, e para cujos efeitos visíveis têm de encontrar então algum tipo de explicação realmente mágica e irracional.

Questão 01

No período ‘Mas, para complicar as coisas, essa não é uma diferença que ressalte das simples qualidades formais do discurso, as quais podem ser as mesmas num caso e no outro’, há duas orações subordinadas adjetivas.

Questão 02

No trecho ‘e é necessário que esta dupla recapitulação mesma não se esgote na pura análise’, a oração introduzida pela conjunção ‘que’ exerce a função de complemento do adjetivo ‘necessário’.

Questão 03

No período ‘No entanto, é nessa aparente “mágica” que reside o poder do pensamento eficaz’, o termo ‘que’ é um pronome relativo que introduz oração adjetiva com valor restritivo.

Questão 04

No trecho ‘sem mesmo chegar a admitir que exista’, a oração ‘que exista’ exerce a função de complemento do verbo ‘admitir’.

Texto para as questões 05 a 08:

A ideia que inspira esta série de aulas é da total redução da gnoseologia à ontologia. Trata-se de eliminar o preliminar crítico, a crença de que primeiro é necessário criar uma teoria do conhecimento para depois, com base nela, chegar, se possível, a uma ontologia.

Mas essa é apenas uma das ideias, a outra é eliminar a dualidade do racional e do intuitivo, reduzindo tudo ao intuitivo. Se tivesse tido a oportunidade de expor isso ordenadamente nestas aulas, em vez de abordar as partes do assunto um tanto a esmo e ao sabor da ocasião, como o fiz, eu partiria do rastreamento histórico das origens da questão do conhecimento no mundo moderno, da origem do primado do sujeito.

Primeiro, mostraria como o subjetivismo de origem cartesiana está presente em todas as escolas, inclusive as mais antagônicas a qualquer idealismo, pois até escolas materialistas, como o marxismo, aceitam implicitamente a prioridade do sujeito: a diferença, no marximo, é que é um sujeito coletivo.

Mostaria que todos esses três séculos decorridos desde Descartes estão contaminados com o primado do sujeito.

Questão 05

Na segunda linha, a partícula ‘se’ indica que o sujeito da oração é indeterminado.

Questão 06

No período ‘A ideia que inspira esta série de aulas é da total redução da gnoseologia à ontologia’, se a oração ‘que inspira esta série de aulas’ fosse isolada por vírgulas, haveria alteração no sentido e manutenção da correção gramatical.

Questão 07

No período ‘a outra é eliminar a dualidade do racional e do intuitivo’, a oração ‘eliminar a dualidade do racional e do intuitivo’ funciona como complemento nominal.

Questão 08

“Com abraço entre pai e filha que não se viam há 29 anos, Desafio Farroupilha exibe dança em homenagem aos profissionais da saúde”.

A partícula ‘se’, na frase acima, indica reciprocidade.

Questão 09

“Não se vê o tempo passar durante a leitura. As páginas voam. Volto ao começo para terminar: “Vivi todos os anos de carne e alma, corpo e cérebro, muito bem acompanhado pelas pessoas queridas e devo apagar a qualquer momento como um sopro”.

A partícula ‘se’, no primeiro período do texto acima, é um índice de indeterminação do sujeito.

Questão 10

Quarentena imposta, autoisolamento e outras restrições de movimento se tornaram comuns em diversos países diante da pandemia do novo coronavírus. Estima-se que haja ao menos 2,8 bilhões de pessoas vivendo sob algum tipo de restrição de movimento ou acesso a serviços.

No período ‘Estima-se que haja ao menos 2,8 bilhões de pessoas vivendo sob algum tipo de restrição de movimento ou acesso a serviços’, a oração introduzida pelo ‘que’ exerce a função de complemento direto do verbo ‘Estima’.

Gabarito Comentado

  1. Gabarito: item certo.

Há duas orações subordinadas adjetivas: uma de natureza restritiva, introduzida pelo termo ‘que’, a outra de natureza explicativa, introduzida pelo pronome relativo ‘as quais’.

  1. Gabarito: item errado.

A oração introduzida pelo ‘que’ exerce a função sintática de sujeito, o qual está posposto ao verbo ‘é’. Há, nesse caso, um sujeito oracional.

  1. Gabarito: item errado.

Nesse caso, o termo ‘que’ faz par com o verbo ‘é’ que está após a vírgula para formar uma partícula expletiva. ‘é… que’. Nesse caso, a retirada dessa expressão não reproduz um desvio gramatical, nem altera o sentido.

  1. Gabarito: item certo.

Quem admite, admite algo. E é justamente a oração ‘que exista’ que exerce a função de complemento do verbo.

  1. Gabarito: item certo.

O ‘se’ está associado ao verbo tratar, que – no contexto – é transitivo indireto. Na falta de agente expresso, se os verbos não forem transitivos diretos, a partícula ‘se’ será índice de indeterminação.

  1. Gabarito: certo.

Essa oração – introduzida pelo pronome relativo – é subordinada adjetiva. Sem isolamento, ela tem valor restritivo. Quando há isolamento, ela passa a ser explicativa. No contexto em questão, o isolamento da oração altera apenas o sentido.

  1. Gabarito: item errado.

Essa oração – reduzida de infinitivo – segue à ordem SUJEITO + VERBO DE LIGAÇÃO + PREDICATIVO. Ela funciona, então, como predicativo.

  1. Gabarito: item certo.

Pai e filha não viam um ao outro há 29 anos. Observe que essa percepção difere do pronome reflexivo clássico (= a si mesmo).

  1. Gabarito: item errado.

Não há a figura do agente expressa. Além disso, o verbo é transitivo direto. Esse é o cenário para que se reconheça o ‘se’ como partícula apassivadora.

  1. Gabarito: item errado.

No trecho acima, a oração – substantiva, introduzida pelo ‘que’ – exerce a função de sujeito paciente do verbo ‘Estima’. A partícula ‘se’, apassivadora, marca a voz passiva. Na voz passiva, não há complemento direto. O que há é o sujeito paciente.

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