Adjunto adverbial ou Objeto Indireto?

Alguns conflitos sintáticos dão muito trabalho para os alunos. Termos de uma oração possuem particularidades que os aproximam e, certamente, disso derivam muitas pegadinhas e confusões em provas. Por exemplo, o sujeito e o objeto são facilmente alvo de confusão, visto que não são preposicionados. Se o aluno não estiver atento à ordem e à análise sintática, poderá se confundir.

Falando em preposição, há dois termos que se ligam ao verbo (com missões diferentes, é claro), mas podem causar confusão em muitas análises: o adjunto adverbial e o objeto indireto.

Pelo fato de o adjunto adverbial poder vir preposicionado (no caso das locuções adverbiais), é muito comum que se criem certas confusões com o objeto indireto (termo que é sempre preposicionado). Vamos às diferenças:

A primeira diferença é que o objeto indireto é um complemento de verbo transitivo indireto. Ele é exigido sintaticamente por tal verbo.

Já o adjunto adverbial pode se relacionar com qualquer tipo de verbo e, necessariamente, terá algum valor semântico (as circunstâncias adverbiais), ao contrário do objeto.

Existe, portanto, adjunto adverbial de tempo, de lugar, de modo, etc. Contudo, não existe esse tipo de aspecto semântico para o objeto indireto, segundo a maioria dos gramáticos.

Ele morreu de frio. (‘De fome’ tem valor de causa. Não é complemento de verbo transitivo. Não é alvo da ação. Logo, é adjunto adverbial de causa)

Ele não gosta de frio. (‘Quem não gosta, não gosta de algo’. Note que o verbo gostar exige preposição. O ‘de algo’ não tem valor semântico. Não expressa modo, tempo, lugar… É um objeto indireto)

Ele estuda desde criancinha. (‘desde criancinha’ tem valor de tempo. É adjunto adverbial)

Ele concordou com a criancinha. (‘Quem concorda, concorda com algo’. Sem valor semântico, o elemento destacado é objeto indireto, complemento de verbo transitivo indireto)