Português e Qualidade de Vida

Nos dias de hoje, tem-se observado, felizmente, uma enorme campanha de conscientização coletiva – que incentiva a população a ter alguns cuidados. O zelo pelo perfeito andamento da saúde física lidera o ranking desse tipo de estímulo “do bem”.

Antes, notavam-se pessoas consumindo tabaco livremente, sem que isso fosse motivo de “vergonha”. Nos dias de hoje, o normal é deparar-se com pessoas que, mesmo que sejam fumantes assíduos, saibam que precisam descontinuar com o fumo. É da ciência de todos que o cigarro faz mal à saúde e que esse vício precisa ser eliminado das suas vidas; antes, contudo, essa urgência não era tão flagrante. Graças à mídia, à publicidade e às legislações – que passaram a ser mais rígidas – a mentalidade mudou completamente.

Ao lado de cuidados com a saúde corporal, com o perfeito alinhamento da arcada dentária, com penteados e com a forma de se vestir, o cuidado com o bom uso da Língua tem começado a se revelar como uma espécie de “necessidade comum”, atualmente. Como professor de Português, percebo – cada dia mais – pessoas preocupadas com o respeito (ou desrespeito) à norma-padrão da nossa língua em seu discurso – seja falado, ou escrito.

Recebo diariamente centenas de dúvidas de alunos oriundos de todo o território nacional, e isso é um excelente sinal. Além de alunos que querem passar em provas, tenho contato com pessoas que se preocupam em ‘como passar, de forma mais coerente, uma informação’.

A Gramática Normativa do Português é muito mais do que um conjunto obsoleto de regras que devem ser decoradas e aplicadas de acordo com o que está no nosso inconsciente escolar. O acesso ao português-padrão é um dos nossos maiores instrumentos de ascensão social, visto que o segmento da população que tem contato com o mundo letrado tem muito mais chances de chegar a uma vida de prosperidades acadêmicas e profissionais, tanto pela produção textual quanto pela expressão oral da linguagem.

É preciso definitivamente reconhecer que quem não conhece a forma considerada culta de estabelecer a comunicação – ou que passa a vida sem ter contato com livros – tende a uma rotina cíclica de insucessos, no contexto competitivo e capitalista em que vivemos.  No entanto, o ‘bom Português’ não se deve confundido como caminho rumo ao preconceito, não se deve confundir desconhecimento de regras gramaticais com ignorância. Devido a diversos fatores sociais, uma grande parcela da população simplesmente não tem acesso ao universo textual. O ideal seria que o acesso à Gramática Normativa do Português fosse – de fato –  democratizado e acessível, em vez de se demonizar a Norma.

A Língua Portuguesa não faz parte da nossa vida apenas durante uma aula. É por meio da linguagem que nos apresentamos ao mundo. É por meio dela que abrimos ou fechamos portas no universo corporativo ou acadêmico. É por meio dela que nos comunicamos.

Repudiando qualquer preconceito linguístico, alertando quanto as adequações e inadequações, conscientizando sobre as variantes, orientando sobre o respeito às regras e às situações e ensinando a todos que o uso adequado da Língua Portuguesa deve ser alvo de atenção (sobretudo em situações formais), deve-se tratar o ‘bom Português’ com o mesmo cuidado que se tem com a roupa que se usa em diferentes situações, ou com a forma física, ou com a saúde mental e corporal.

A norma culta é uma das variantes da Língua, deve ser considerada, estudada e valorizada. Afinal, a Língua Portuguesa está em tudo!