Sintaxe da Língua Portuguesa

Certamente, a sintaxe é um dos assuntos mais desafiadores e apaixonantes da nossa Língua. E é um assunto apaixonante justamente por ser desafiador. Observe o que três dos maiores gramáticos da Língua Portuguesa falam sobre a sintaxe:

Segundo Napoleão Mendes de Almeida, cabe à Sintaxe promover o estudo das relações que as palavras mantêm entre si na oração. Além disso, o professor nos convida a estudar os processos sintáticos, ou seja, os requisitos a que deve obedecer um termo no referir-se a outro termo. (Família, esses processos sintáticos são as relações de concordância. Se um termo se refere a outro, ele precisa obedecer aos critérios de flexão, para que se respeite a norma padrão).

Napoleão também propõe aquilo que é frequentemente cobrado em provas: a sintaxe do período, ou seja, o reconhecimento das funções sintáticas dos termos que compõem uma oração. Em concursos, as bancas destacam termos e nos questionam acerca da função que a palavra exerce. É importante saber a sintaxe do período simples e também do período composto (quando há mais de uma oração).

O professor Celso Cunha, em sua Gramática, trata de Sintaxe, a princípio, mostrando os conceitos de frase, oração e período. Em seguida, ele vai justamente analisando – caso a caso – todas as funções sintáticas do Português: sujeito e predicado; complementos verbais e complementos nominais; predicativo do sujeito e predicativo do objeto; agente da passiva; adjuntos adverbiais e adjuntos adnominais; aposto e vocativo. Em seguida, o professor traz o importantíssimo conceito de ORDEM DIRETA e ORDEM INDIRETA.

Fernando Pestana define brilhantemente sintaxe da seguinte forma: sintaxe é a parte da gramática que trata da ordem, da relação e da função das palavras na frase.

Outros grandes autores, não da forma organizada como o professor Pestana faz, nos capítulos de Sintaxe, abordam exatamente, em seus livros, esses três conceitos: ‘ordem’, ‘relação’ e ‘função’. E são justamente esses os aspectos que definem o objeto de estudo da sintaxe do Português. Sintaxe é ‘ordem’, ‘relação’ e ‘função’. Vamos falar sobre cada um?

Ordem: Existe um conceito que esclarece que elementos frásicos não podem simplesmente ser ‘jogados’ numa frase. Afinal, a Língua é um sistema, há uma estrutura sintática de colocação dos termos em cada Língua. Obviamente, com o Português não seria diferente. O nosso conceito de ordem direta é:

Sujeito + verbo + complementos (ou predicativo, ou agente da passiva) + adjunto adverbial

Relação: É o vínculo que existe entre os vocábulos. Esses vínculos são trabalhados justamente de três formas: coordenação, subordinação e concordância. Se um vocábulo COMPLETA O OUTRO, há entre eles uma relação de subordinação. Um é o principal, o outro é o subordinado.

Por relação entre termos, também se entende o compromisso que determinantes têm de concordarem com os seus núcleos (Observe ‘os aluno’ e note que o núcleo é singular e o determinante é plural. Não há, então, concordância). Entre o sujeito e o verbo também há uma relação. Em virtude disso, eles precisam concordar. (Em ‘As pessoas veio’, o núcleo do sujeito é plural, mas o verbo está no singular. Não houve entre eles a devida concordância).

Função:  Os termos de uma oração não existem em vão. Cada elemento que compõe uma estrutura oracional exerce uma função dentro dela, tem um determinado comportamento sintático. Em concursos públicos, isso é MUITO cobrado. O aluno precisa saber a função sintática de termos que a banca destaca. É fundamental, portanto, saber os nomes que são dados a essas funções. Por exemplo, na frase ‘Aumentou o número de reprovações em 2020’. A banca vai destacar ‘o número de reprovações’ e perguntar qual é a função sintática. O que fazer? Achar o verbo é o primeiro passo, afinal esse termo destacado é o ‘sujeito desse verbo’, ‘concorda com ele’ e ‘está posposto ao verbo’.

Função: sujeito

Relação: o núcleo do sujeito está no singular. O verbo, também.

Ordem: o sujeito está após o verbo, ou seja, há a ordem indireta.

Está claro o objeto de estudo da Sintaxe? Agora, vamos seguir o conselho do professor Girafales: ‘Devorem os livros!’